Entrevista com Dr. Alfredo Abreu Coordenador Nacional da Bíblia Manuscrita
por Sandra Parente

Publicado no Em Contacto de Setembro / Outubro de 2004

A propósito da Bíblia Manuscrita, a Plenitudes entrevistou o Dr. Alfredo Abreu, Coordenador Nacional da iniciativa “A Bíblia Manuscrita” e responsável pelo Departamento de Desenvolvimento e Comunicação da Sociedade Bíblica de Portugal, uma organização cristã sem fins lucrativos a operar em Portugal desde 1835, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública. A SBP está integrada numa fraternidade mundial, as Sociedades Bíblicas Unidas, que conta com cerca de 130 sociedades bíblicas nacionais a actuar em mais de 200 países e territórios e que celebra este ano 200 anos.

Promovida pela SBP, a Bíblia Manuscrita é uma iniciativa cultural inédita em Portugal, com uma ideia central simples: que pessoas de todo o país possam transcrever manualmente porções das Sagradas Escrituras Judaico-Cristãs. De onde partiu a ideia e quais os objcetivos e resultados esperados?
Inicialmente “A Bíblia Manuscrita” foi uma forma de levar os cristãos australianos a perceberem melhor as dificuldades da Igreja perseguida em ter acesso à Palavra de Deus, muitas vezes copiando à mão os fragmentos que alguma comunidade tinha em seu poder. Dessa forma também, poderiam dar mais valor à Bíblia que possuíam tão facilmente e ajudar financeiramente os irmãos em dificuldades. Em Portugal seguimos um caminho um pouco diferente pois pensámos que seria mais valioso aproveitar esta ideia para levar muitos portugueses a terem contacto pessoal com as Escrituras. Quando, em Novembro próximo, se abrirem os “scriptoria” (lugares de escrita) em todo o país, esperamos que muitas dezenas de milhares de residentes no nosso país possam ir transcrever um ou dois versículos da Bíblia, prestando dessa forma homenagem a esta obra de valor universal, mas que está também na matriz da nossa própria identidade comum. Além disso, sendo a revelação de Deus para todas as pessoas, cremos que muitos poderão encontrar ali um relacionamento novo com a Palavra, Jesus Cristo.

Sendo que qualquer pessoa pode participar, como e onde o poderá fazer?
Em Outubro anunciaremos os locais do país onde as pessoas se podem dirigir para participar na escrita. Estes locais estarão abertos ao fim de semana, entre 6 e 21 de Novembro. Além disso, as pessoas podem participar como voluntários nestes “scriptoria” (vamos precisar de muitos!), como parceiros de oração e como mecenas, apoiando financeiramente este projecto. No site www.biblia-manuscrita.net encontrarão informações actualizadas e podem receber essas actualizações por email. Em qualquer altura podem contactar a Sociedade Bíblica para colocarem as suas questões e fazerem as suas sugestões. Este é um projecto para todos os portugueses e é muito importante que muitos participem.

Que outro tipo de eventos estarão ligados com a iniciativa?
Temos convidado as igrejas, movimentos religiosos, escolas bíblicas e seminários, editoras e media a participar com iniciativas próprias. Além disso, outros agentes da cultura e da educação como bibliotecas, associações, escolas e universidades, etc. também poderão associar-se a esta iniciativa. O objectivo é que os portugueses reconheçam o quanto devem à Bíblia na sua língua e literatura, na arte, nos valores e na mundividência, valorizando a nossa memória comum e recuperando a influência das Escrituras para o nosso futuro. Assim, debates e conferências, exposições e concertos, publicações e cursos, concursos e outros eventos ligados à Bíblia serão organizados em todo o país por múltiplas entidades ligadas à fé, cultura e educação, procurando dessa forma também dar alguma resposta ao interesse e curiosidade acrescidas que muitas pessoas terão nessa altura em relação às Escrituras. Entre outras entidades, estão já associadas a esta iniciativa a Biblioteca Nacional, o Centro Nacional de Cultura, a Universidade Aberta, a Texto Editora, etc.

A Plenitudes deseja o maior sucesso à SBP nesta iniciativa!

João Ferreira de Almeida
Nascido em 1628 , na freguesia de Torre Tavares, em Mangualde, Viseu, ficou orfão em bébé vindo a ser criado por um tio, sacerdote católico que o introduziria aos estudo do latim, gramática, etc.
Por volta de 1641 deixa Portugal para a Holanda e um ano depois viaja para Malaca (Jacarta), onde lê a “Diferença da Cristandade” e abraça a fé nascida das Sagradas Escrituras.
Vive em Malaca 10 anos onde evangeliza entre hospitais, casas e ruas e ainda ensina a ler. Reconhecido como diácono fixa-se em Batávia onde estuda teologia durante 4 anos e é consagrado presbítero e posteriormente pastor, em 1663.
Morre em 1691, mas sem antes se ter imortalizado como tradutor do Novo Testamento completo e do Velho Testamento até Ezequiel, no português vernáculo, apesar do Édito Geral de 1659 a proibir a pregação em português para Almeida.
A tradução de Almeida, com vestígios da versão de Lutero de 1534 e da versão King James de 1611, não se afastou muito da Vulgata latina de Jerónimo, contudo com os melhoramentos que as reedições sofreram desde a sua 1ª impressão completa em 1753, é a tradução mais divulgada entre os evangélicos desde o século XIX até agora.

Informação adaptada da revista IMAGODEI, nº 7 de 2004
Artigos: Dr António da Costa Barata e Dr Timóteo Cavaco.