Na madrugada de 15 de Maio o telefone tocou e o meu coração encolheu-se de terror: o meu paizinho querido tinha-me deixado... tinha trocado a incerteza e a dor deste planeta, pela glória de um corpo imortal, sem lágrimas nem cansaço.
No seu funeral, amigos e familiares ouviram como este homem de poucas palavras viveu a fé em Jesus até ao último suspiro, como exemplo espiritual da sua comunhão com Deus. Amigo, forte, encorajador, cheio de fé, o melhor de nós! Levado tão cedo... mas levado a sorrir. |
|
 |
 |
|
Na semana que se seguiu suspendi os sentimentos e teimava em acordar todas as manhãs do pesadelo, mas afinal era real... ele já não entrava pela porta com um sorriso. As suas orações e força já não ecoavam. Os conselhos e sabedoria já não se ouviam... o companheirismo e o dom profético desaparecera.
O meu pai enchia-nos a todos de segurança, de incentivo e de esperança.
Este é um elogio ao melhor pai do mundo!
Acreditou sempre na sua filha, apoiou-a, amparou-a e amou-a singularmente. Na Plenitudes era sempre o mais entusiasta, sempre disposto a orar, a trabalhar, a aconselhar, a visionar os sonhos de Deus para a nação.
Este tributo diz muito pouco de quem ele era e o que fez, mas o seu nome está escrito em letras de ouro no Livro da Vida e o seu testemunho tocou infinitas vidas e situações.
O desespero da tragédia e vazio que nos invadiu foi ignorado por uns e criticado por outros, por isso quero que este testemunho sirva de consolo àqueles que estão a sofrer alguma perda ou situação dolorosa na sua vida. |
| Dois livros ajudaram-me a ultrapassar o choque e a perplexidade da agonizante verdade: Quando a Vida nos Machuca, de Philip Yancey e Vitória na Tragédia, de Tommy Tenney e a perceber que, ainda no meio da dor, Deus permanece lá, por vezes em silêncio, mas está lá...
Assim como o profeta Isaías sentiu o seu mundo desabar quando o seu primo, Rei Uzias morreu, porque todo o seu senso de segurança fora abalado, ninguém pode compreender a dor pessoal de outro sem ter experimentado algo semelhante na sua própria vida. Para tudo há um tempo debaixo do céu (Ecles. 3:4) e tempos de tragédia devem ser partilhados por familiares, amigos e igreja.
As palavras que transcrevo são para ânimo de uns e exortação de outros, para que a Igreja possa ser realmente um corpo vivo e saudável.
“O peso da tristeza, o choque da tragédia e até o terror de uma morte iminente podem roubar de nossos corpos e mentes a sua vontade de se movimentar, agir e orar. O melhor que você tem a fazer em tais momentos de fraquezas paralisantes é orar e clamar a Ele do jeito que puder. Francamente, não precisa muita coisa para chamar a atenção de Deus.”
“O lamento da tragédia pessoal é interminável e a sua dor é virtualmente universal. Apesar de sabermos que (...) poderá bater à nossa porta (...) continuamos a formar opiniões críticas (...) a respeito das vulnerabilidades dos outros (...). Para onde você corre quando de repente sente fraco no coração e desequilíbrio nos joelhos? O que diz a um amigo [curvado pela] pesada carga da tensão? (...) precisamos saber (...) quem ou o que morreu, antes que possamos compreender nossos sentimentos no meio da crise.”
“Nossa resposta à tragédia como indivíduos e como corpo de crentes, quer a crise ataque um vizinho, nossa comunidade ou nossa nação, pode determinar o sucesso ou o fracasso da igreja nos dias vindouros.” “Da mesma forma, eu e você temos a responsabilidade de intervir e interceder em favor dos que sofrem e dos que estão em crise. Deus quer que abandonemos definitivamente (...) nosso tom de justiça própria. Sem excepção, todos somos pecadores e salvos pela graça.”
Se conhece alguém que esteja a passar por momentos difíceis, esta é a sua oportunidade de orar por essa pessoa, visitá-la, abraçá-la e dizer-lhe que está com ela, no amor de Cristo.
Citações In Vitória na Tragédia, de Tommy Tenney,
Editora Atos, p. 51, p. 57-58, p. 100, p. 103 |