| No mês passado demos-lhe a conhecer o ministério do pastor, autor e criativo que agora entrevistamos exclusivamente para si, a respeito do seu livro. .

Em “Criativos à Sua Semelhança”, Leen La Riviére reflecte sobre a característica criadora de Deus e como nós, feitos à sua semelhança, devemos buscar a criatividade em todas as áreas das nossas vidas pessoais, profissionais e ministeriais de forma a cumprirmos em pleno a grande comissão. É um livro apaixonado por uma vida de intimidade com Deus que se expressa na beleza de um sacerdócio activo, criativo, reavivado, defensivo de padrões elevados de excelência e impulsionador de novidade de vida na sociedade e na igreja.
PLE

LEEN
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Partindo de uma reflexão sobre a beleza da criação divina e o potencial de criar que nós cristãos temos como forma de influenciar positivamente o mundo à nossa volta, o seu livro passa por questões importantes como: adoração, sacerdócio, dons, reavivamento e restauração, artes, evangelização e influência. Todos estes conceitos fazem parte de uma chamada de atenção ao papel do cristão na sociedade, na igreja e na sua adoração a Deus. Tendo demorado 2 anos a escrever, poderá explicar-nos um pouco o seu percurso ao longo deste livro e quais os seus principais objectivos?
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Leen La Rivière, é um cristão convicto envolvido nas artes desde 1969. Dirige a European Continentals (que conta 25 grupos na estrada); é presidente da direcção da International Association of Christian Artists (com mais de 100 associações); fomentou a edificação e o crescimento de muitas organizações artísticas em toda a Europa; dirige o famoso Christian Artists Seminars; é membro da direcção do CNV (sindicato da Holanda).
É o impulsionador da nova European Academy for Culture and the Arts (esta instituição de cariz pós-académico e modular é financiada pela UE).
É autor de 15 livros sobre arte, cultura, sociedade, juventude, etc. Editou uma série de 12 livros sobre política sócio-cultural.
Lecciona em seminários, discursa em igrejas e conferências internacionais.
Devido a todo o seu contributo a rainha da Holanda agraciou-o em 1999 cavaleiro da ordem de Oranje-Nassau.
É consultor de política social e cultural de partidos políticos, homens da política e sindicatos.
Leen La Rivière nasceu em 1946, é casado com Ria, tem três filhos, todos artistas, e é um avô orgulhoso. |
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Eu acredito realmente que ninguém é tão inteligente a ponto de conseguir juntar todos esses pensamentos num conceito de como as nossas vidas podem ser criativas e devem glorificar a Deus. Tudo data de uma revelação que tive em Abril de 1986. Sou sempre muito cauteloso e hesitante em chamar-lhe “visão”, mas certamente tive a revelação de que DEUS CRIOU AS ARTES DE PROPÓSITO e, se Ele criou as artes então Ele também teve de dar a inteligência e o poder criativo aos Seus filhos. Mais: ELE tinha um PROPÓSITO com as artes de que estas O glorificassem. Onde: entre o público; as artes foram criadas para inspirarem a sociedade e darem-lhe direcção e, claro, isto deveria ter algum significado para a Igreja. De forma a compreender esta revelação senti que tinha de estudar as escrituras a fundo. Claro que teria sido mais fácil ir à minha biblioteca (tenho vários milhares de livros) e escrever sobre o que outros já tinham dito, mas acreditei que esta tinha de ser uma viagem autêntica. Como encontrar as respostas? Bem, dentro da Bíblia. Começei na 1ª página fazendo as minhas anotações e aproximadamente 6 meses depois cheguei à última página e continuava a tomar apontamentos. |
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A seguir apercebi-me que diversos padrões tinham surgido e finalmente comecei a escrever. Ao mesmo tempo dei palestras à volta do mundo e essas visitas ajudaram-me a reflectir neste assunto. Dois anos depois desta viagem individual o livro estava pronto. Não só é um testemunho da minha vida pessoal, como é uma descoberta autêntica de verdades.
A versão holandesa foi escrita em 1986/87. O interessante é que depois de começar a pôr em prática as verdades bíblicas que tinha descoberto, sabem o que aconteceu? É realmente verdade! Cada pessoa...cada igreja que coloca os princípios bíblicos em prática, essa pessoa cresce... essa igreja cresce... e se eu e vocês começarmos a actuar no público, também terá efeito na sociedade. Antes da versão portuguesa estar terminada, actualizei o livro e adicionei alguns capítulos, por isso vão ter algo que já foi testado e está a funcionar a 100%. |
| PLE |
Feitos à semelhança do Criador, nós somos por natureza criativos e, no entanto, a Igreja parece ter perdido alguma capacidade de exercer a sua influência criativa no mundo, quer pelas artes, quer pela conquista do reino. Qual a sua análise da posição actual dos cristãos no mundo e o que podem fazer para a mudar? |
| LEEN |
Antes de mais as pessoas têm de compreender, reflectir e orar sobre a sua situação actual. Porque é que a minha vida é ineficaz ou aborrecida ou sem desafios? As igrejas também devem interrogar-se a este respeito.
DEPOIS devem reflectir e orar sobre a SOLUÇÃO. Facilmente os cristãos e as igrejas criam um espécie de gueto para rotular outros ou o mundo como o mal, por isso a partir do momento em que vemos os outros como o mal, já não é possível qualquer forma de comunicação, uma vez que a nossa visão está distorcida.
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Devem ser tomadas várias acções: em João 3:16 Deus REDIMIU o mundo, ou seja cada lugar, situação em que as pessoas vivem, se encontram, etc. Não devemos separar-nos da vida quotidiana, antes devemos integrar-nos na vida real pois é aí que seremos sal e luz. Só pelo facto de estarmos LÁ já teremos influência. Esta influência positiva sobre o mundo pode ser ainda mais aumentada quando somos CRIATIVOS, de forma que o que somos e como nos expressamos tenha outra dimensão.Devemos ainda alimentar e estimular a criatividade no nosso meio, em nós próprios, e as igrejas deverão incentivar os seus membros com talentos a irem para Academias de Arte, Conservatórios, Escolas de Dança, Comunicação, etc.
E: todos devemos reflectir na nossa própria família. Como é nossa casa? Não deveria ser um lugar criativo para as crianças, vizinhos, amigos e familiares? A mudança pode começar nas pequenas coisas... |
| PLE |
De que modo os artistas cristãos (músicos, pintores, escultores, poetas, arquitectos, etc) deverão ter um papel preponderante na mudança das artes modernas, influenciando com os padrões bíblicos uma sociedade decadente? |
| LEEN |
Escrevi esta parte numa altura em que uma onda de arte negative e decadente estava no seu auge, em 1986. Num clima de arte pós-moderna, todas as artes devem ter espaço, daí que todos os artistas têm a possibilidade de se expressarem. Isto já de si é uma porta aberta, mas não nos podemos esquecer que a batalha só pode ser ganha numa base de QUALIDADE, uma vez que o “mundo” busca qualidade. Como artistas cristãos enfrentamos questões profundas sobre quão bom é aquele texto, ou música, ou quadro ou coreografia. Sem auto-crítica não melhoraremos... o melhor para o Mais Elevado... que interessante... Deus merece o melhor dos melhores, mas a sociedade exige também o mesmo. Por vezes sinto-me boquiaberto quando vejo algumas obras cristãs: mau design, composições baratas, letras superficiais... Se leram a vida dos grandes artistas, as suas melhores criações aconteceram depois de longos processos de deitar fora e fazer de novo até que AQUELE trabalho especial era criado.
A grandeza é um resultado de sangue, suor e lágrimas.
Não há atalhos para a excelência!
Se começarmos a estimular os poderes criativos entre os cristãos, os melhores e os mais talentosos, novos ou velhos, alguma coisa vai acontecer. É claro que esta não será uma mudança repentina, mas iremos ver as mudanças.
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“Os artistas obedientes e fiéis têm a oportunidade de serem reis e sacerdotes no seu campo de acção. Através de meios audíveis ou visíveis eles podem traduzir o carácter de Deus ao mundo, podem defender os padrões correctos, lutando contra a decadência, podem proclamar a Verdade e, ao fazê-lo, reconciliar o mundo com o Senhor Jesus. Sim, verdadeiros sacerdotes Reais!”
In Criativos à Sua Semelhança, p.23 |
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Na minha nação várias igrejas adoptaram estes princípios e agora estão a crescer rapidamente com mais de 1500 pessoas e com um bom número de músicos, bailarinos, pintores, escritores, etc. Este é um passo num processo e eu creio que para influenciar a sociedade, os artistas cristãos devem tomar o seu mandato bíblico para moldarem a sociedade com seriedade, nos cinemas, nos teatros, nas galerias, nos museus, nos clubes, nas praças... e aí só se vence a batalha da atenção através da qualidade. |
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| PLE |
O que podem as lideranças das igrejas fazer para apoiar o desenvolvimento criativo e evangelizador dos seus membros? |
| LEEN |
Estimular os que têm dons. Estimulá-los a frequentar boas academias de arte, conservatórios, escolas, o que seja, e providenciar-lhes ensinamento sobre o carácter do artista. O artista é uma pessoa que precisa de treino para que o seu poder criativo seja equilibrado com um carácter baseado no estudo bíblico. Este treino tem 2 carris: um é o desenvolvimento dos dons e criatividade; o outro é o desenvolvimento da personalidade, na coesão do social, nos relacionamentos, incluindo obviamente o papel da igreja local. Como pastor posso afirmar aos meus colegas: arrisquem investir nessas pessoas, arrisquem deixá-las ir naquilo que podemos chamar “o mundo”, mas nunca as percam... |
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“Ao estarem atentos à palavra de Deus, os artistas cristãos terão capacidade para arrancar e vencer todos os valores negativos que o mundo defende. Eles tem têm poder para levar a cabo um ministério semelhante ao de Jeremias. Também tTêm capacidade não só de destruir, mas também de criar. Nós subestimamos frequentemente o poder dos artistas na sociedade. Quando Deus toca nas nossas bocas, nos nossos pincéis, nas nossas canetas, podemos destruir as obras do diabo. Quando realmente acreditamos no poder do Pai Nosso, que o Seu reino vem até nós, podemos trazer à luz a natureza do próprio mal, podemos, inclusive, plantar valores puros nos corações e nas mentes de muitas nações.”
In Criativos à Sua Semelhança, p. 46 |
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| PLE |
Santidade, vencer o medo, liberdade e comunicação criativa por esta ordem a igreja pode influenciar o mundo que a rodeia, não pela sua força mas pelo Espírito de Deus. Qual o seu maior sonho para os nossos dias? |
| LEEN |
Parte do meu sonho já se tornou realidade mas ainda não chegámos lá totalmente. Em 1986 sonhava que os artistas cristãos pudessem novamente ter um papel no mundo, na sociedade, moldando a cultura. Naqueles dias, os artistas cristãos eram completamente ignorados ou inexistentes na sociedade holandesa, uma vez que esta era contra o cristianismo e pró-positivismo resultante da Revolução Cultural dos anos 60. Como resultado do meu livro e das acções que tomámos, nomeadamente pela criação de um Sindicato para Artistas Cristãos, lutámos duramente neste processo para termos uma posição e aceitação no mundo secular (não falo de arte cristã globalmente mas daqueles que pelo seu trabalho se qualificaram a alto nível).
Hoje já vencemos estas batalhas por espaço público e os artistas cristãos tem igual acesso a atenção, galerias e plataformas, como quaisquer outros, mas ainda não estamos lá. Moldar a cultura significa que teremos de chegar a uma época em que os artistas dominantes ou os líderes serão cristãos e as suas crenças, esperança e fé poderão dar direcção e esperança à nação no rock secular, nos grandes museus, em musicais, nos filmes, nos livros.
Eu creio que chegaremos lá! Cada 5-10 anos vemos melhores artistas cristãos destacarem-se nas gerações mais jovens, por isso o processo produzirá uma nova época dourada. Como a comunicação agora é muito mais rápida que antigamente, eu ainda espero ver isto no meu tempo de vida.
Tem sido recompensador investir a minha vida inteira a ver os artistas cristãos tomarem o seu lugar de direito na sociedade, na igreja, nas praças para mostrarem a grandeza do Reino de Deus, de forma a ganharmos a batalha pelas almas das nações. |
A Plenitudes deseja ao Sir Leen La Riviére o maior sucesso no seu primeiro lançamento em português e informa que o autor estará no Espaço Multi-Usos Plenitudes para uma Workshop, Debate e Sessão de autógrafos no próximo dia 22 de Maio 2004 entre as 15h00 às 19h00.
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