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Leen la Riviére e o
Continental Art Center
por Sandra Parente

Publicado no Em Contacto de Março / Abril de 2004

Nascido em 1946 na Holanda, a biografia e o portfólio de Leen la Rivière são de facto impressionantes, mas quando lhe perguntamos se a sua história é uma de sucesso, responde que tudo o que fez com a sua esposa Ria la Rivière, foi com um propósito apenas: o de moldar a cultura de forma a que esta glorifique a Deus.

A existência de tudo o que construiram deve-se inteiramente à vontade divina e só pela dependência Dele que Leen, Ria e o Continental Art Center (Centro de Arte Continental) não foram à falência por 3 vezes ao longo de 35 anos. “Tudo isso faz-nos dependentes de Deus e humildes...”, diz Leen.

Desde jovem, Leen sempre se interessou pelo criativo. Nascido numa igreja reformada tradicional, também teve contacto com movimentos pentecostais e bem cedo sentiu a necessidade de procurar a Verdade para a sua própria vida. Aos 20 anos já tinha lido mais de 1500 livros e estudos sobre os mais variados temas (Religião, Literatura, Filosofia), tendo um encontro real com Deus que o transformou. Nos 5 anos seguintes dedicou-se à pedagogia, literatura, música, exposições, arte, teatro, etc.

Em 1968, recém-casados, Leen e Lia estavam envolvidos com os jovens e o ministério de música da sua igreja local, quando Leen foi convidado para organizar a primeira digressão europeia dos Continental Singers (Cantores Continentais).

A experiência foi tão gratificante que Leen decidiu continuar a trabalhar com os Continentals e de 1971 em diante organizou uma rede de digressões por toda a Europa ocidental até chegar à Europa de Leste em 75, onde os Continentals actuaram como evangelistas do underground nos países comunistas. Por aquela altura o ministério criativo de Leen, Continental Sound (editora de música cristã contemporânea) já tinha como propósito atingir toda a Europa através de produtos de qualidade que evangelizassem a velha Europa e que sustentassem o propósito evangelístico do projecto.

Por volta de 1974 Leen tinha já lançado o Festival de Música Cristã Contemporânea como evento anual a ter lugar no mais famoso palco de Roterdão e tinha sentido a chamada de Deus para se dedicar à obra a tempo inteiro. Logo por coincidência no ano seguinte começou uma das maiores provações no ministério do casal e, somente a convicção da chamada divina a que tinham respondido, os consolou através de um período traumático e os fez emergir com o seu carácter mais podado e mais forte.

A graça e a provisão de Deus não só permitiu ao projecto sobreviver a 3 crises financeiras, mas a desenvolver-se ao longo dos anos. Em 1977 Leen formou o primeiro grupo que constitui os Continentals europeus e desde então o seu repertório tem incluído todos os estilos, têm sido experimentados todos os sistemas técnicos e todas as formas de treino, porque “... não há atalhos para a excelência. Se queremos alcançar a grandeza é necessário imensa disciplina e ser capaz de investir um encargo de sangue, suor e lágrimas...”.

Em 1980 a editora deu lugar ao Christian Artists Seminar (Seminário para Artistas Cristãos), o qual embora tenha chegado a ter 2000 participantes, hoje providencia seminários específicos para grupos de artistas mais pequenos, nas mais variadas áreas.

Do mesmo modo, a European Academy for Culture and the Arts (Academia Europeia para a Cultura e Artes), especializa-se na qualificação de artistas que buscam a excelência e, em vez de substituir outros conservatórios ou academias, continua o ensino onde outros sistemas educacionais param.

Em 1986 Leen estava consciente das 2 ordens que a visão de Deus lhe dera:

1. unir os artistas cristãos e dar-lhes direcção para moldarem a sua cultura
2. providenciar qualificações e meios para os artistas

Nessa altura surgiu o livro Royal Creativity (Criativos à Sua Semelhança), um estudo bíblico sobre os fundamentos para as artes e a criatividade. O impacto do livro foi tremendo relativamente à renovação e à participação dos artistas cristãos na sociedade e na cultura. Depois de uma digressão nesse ano, em palestras por todo o mundo, Leen ficou convencido que uma promessa tinha sido dada à igreja para um renascimento das artes em conjunto com um reavivamento espiritual da sociedade. Daí ser tremendamente importante unir os artistas cristãos como impulsionadores dessa mudança.

Actualmente são os media que parecem estar a controlar a cultura e como nos últimos 300 anos os cristãos se colocaram à parte da mesma, não existem neste momento alternativas de massa, fora das igrejas, que possam influenciar positiva e biblicamente as sociedades modernas. Os valores perderam-se e mensagens de amorfismo religioso e superficialidade têm ganho terreno na cultura, sociologia e educação, causando um negativismo e decadência, próprio de algo que precisa de sal e luz. A Igreja deverá retomar o seu papel como motor na cultura, influenciando os media, e a sociedade em geral com a mensagem do Evangelho.

A Plenitudes estará a distribuir oficialmente a versão portuguesa do livro Criativos à Sua Semelhança e desde já convidamo-lo(a) a assistir à workshop com Leen la Rivière a decorrer em Maio no Espaço Multi-Usos Plenitudes, onde poderá conversar directamente com o autor e conhecer mais deste ministério fascinante.

Leen La Rivière, é um cristão convicto envolvido nas artes desde 1969. Dirige a European Continentals (que conta 25 grupos na estrada); é presidente da direcção da International Association of Christian Artists (com mais de 100 associações); fomentou a edificação e o crescimento de muitas organizações artísticas em toda a Europa; dirige o famoso Christian Artists Seminars; é membro da direcção do CNV (sindicato da Holanda).

É o impulsionador da nova European Academy for Culture and the Arts (esta instituição de cariz pós-académico e modular é financiada pela UE).

É autor de 15 livros sobre arte, cultura, sociedade, juventude, etc. Editou uma série de 12 livros sobre política sócio-cultural.

Lecciona em seminários, discursa em igrejas e conferências internacionais.

Devido a todo o seu contributo a rainha da Holanda agraciou-o em 1999 cavaleiro da ordem de Oranje-Nassau.

É consultor de política social e cultural de partidos políticos, homens da política e sindicatos.

Leen La Rivière nasceu em 1946, é casado com Ria, tem três filhos, todos artistas, e é um avô orgulhoso.