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O irmão do filho pródigo
por Pr. Sidson Novais

Publicado no Em Contacto de Março / Abril de 2004

Em muitas situações, quando Jesus queria ensinar alguma verdade preciosa, Ele proferia uma parábola. Todas as parábolas de Jesus contêm riquezas espirituais inestimáveis. A parábola do filho pródigo, por sua vez, dá-nos tremendas lições sobre o relacionamento de Deus, o nosso Pai, com cada um de nós, Seus filhos.

O filho mais novo saiu de casa e gastou a sua parte da herança com uma vida errada e, depois de um certo tempo, voltou arrependido. O pai, com um coração de amor e de perdão, recebeu-o com um abraço, dádivas honrosas e uma festa. Esta é, normalmente, a parte da parábola que mais é ensinada nas nossas igrejas. No entanto, neste estudo, eu quero ministrar não sobre o filho pródigo, mas sobre o irmão do filho pródigo.

Esta parábola é muito rica; ela não pretende apenas ensinar sobre o pai e o filho mais novo, mas enfatiza também as atitudes do irmão mais velho da família.

Se podemos dizer que há muitas pessoas que se identificam com a figura do filho pródigo, também é certo que há outras que se identificam com o filho não pródigo, o que ficou em casa.

Vejamos, em Lucas 15:29, quais eram os conceitos distorcidos que o irmão mais velho tinha àcerca do relacionamento entre pais e filhos:

1. Um filho agrada o pai quando mostra trabalho: “... há tantos anos te sirvo ...”

Muitos filhos de Deus estão a servir nas igrejas e alguns até há muito tempo. Isso é muito bom! Todavia, é importante saber: com que coração estão a servir?

O irmão do filho pródigo perdeu a oportunidade de se relacionar intimamente com o seu pai por causa de uma concepção errada sobre o relacionamento entre pai e filho. Ele acreditava que iria agradar o pai através do seu trabalho. Na sua cabeça, o trabalho era o mais importante, era aquilo que o pai esperava dele. Da mesma forma, alguns filhos de Deus estão apenas a mostrar trabalho e esquecem-se de que o mais importante é a comunhão íntima com o Pai. Estes filhos de Deus, normalmente, ficam muito chateados quando vêem o Pai abençoar pessoas que não mostraram trabalho como eles estão a mostrar. Quando o Pai resolve abençoar um novo convertido, você que já está a trabalhar “em casa” há muito tempo, fica com ciúmes ou fica realmente feliz?

2.. Um filho agrada o pai quando cumpre regras, leis: “... Nunca transgredi um mandamento teu ...”

O irmão do filho pródigo esforçava-se para agradar o pai com o seu trabalho e também com o cumprimento de regras e leis. Quando o seu pai abençoou o seu irmão “rebelde”, ele fez questão de ressaltar as suas próprias boas obras: “há tantos anos te sirvo e nunca transgredi um mandamento teu”. Ele não compreendia como o seu pai poderia abençoar aquele que saíra de casa e gastara mal todo o dinheiro da sua herança. Na mente dele, o pai não estava a ser justo. Ele acreditava que o amor do pai só poderia ser dado àqueles que trabalham e cumprem regras. Na verdade, ele não compreendia o que é ser pai. Estava acima de sua compreensão que o amor de um pai pelo filho ultrapassa questões de trabalho e leis.

3. Se um filho cumprir as duas condições acima, ele merece um prémio: “... contudo nunca me deste um cabrito ...”

Depois de ressaltar as suas próprias boas obras, o irmão do filho pródigo tocou no ponto que o incomodava: “nunca me deste um cabrito”. Ele baseou o relacionamento com o seu pai numa concepção errada: quando eu agradar o meu pai com trabalho e cumprimento de leis, ele vai abençoar-me. Assim sendo, ele não aceitava que o seu pai fizesse uma festa para o irmão que não demonstrou trabalho e cumprimento da lei. Infelizmente, há muitos cristãos assim! Alguns filhos de Deus ficam indignados quando um novo convertido carnal recebe bençãos de Deus.

Não aceitam que o Pai abençoe pessoas que, para eles, não são dignas de bençãos. Este era o problema do irmão do filho pródigo: ele não tinha revelação do amor do Pai, ele desenvolvia um relacionamento “mecânico” com o seu pai e com o seu irmão.

A resposta do pai:

Vejamos, nos versos 31 e 32, a resposta do seu pai: “Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu. Era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.”

Esta resposta revela o coração de um pai que ama o filho simplesmente porque é filho e não um coração que ama o filho apenas quando este trabalha e cumpre regras. O que estava em questão não era trabalho e leis, era o relacionamento entre pai e filho.

Se está a espera das bençãos de Deus somente porque tem trabalho muito e cumprido regras, então mude o seu coração, para não ficar com ciúmes das bençãos de Deus na vida dos outros. Na verdade, nós temos direito às bençãos de Deus simplesmente porque somos filhos de Deus! Trabalhar para o Pai e cumprir os seus mandamentos é óptimo, mas não temos que exigir bençãos por causa disso.

Vamos permitir que o Pai nos abençoe simplesmente porque somos seus filhos e estamos sempre com ele. O que o Pai celeste também tem para nos dizer é: “tudo o que é meu é teu”.

Pr. Sidson Novais é o co-fundador e pastor presidente da igreja Missão Cristã Internacional, com sede em Massamá e com a frequência de cerca de 1000 pessoas entre portugueses, brasileiros e africanos.

Formado pelo Instituto “Luz para os Povos” é missionário no nosso país com a esposa Kénia desde 1995. Tem dois filhos nascidos já em Portugal.