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A Paixão de Cristo
por Nuno Parente

Publicado no Em Contacto de Março / Abril de 2004

O novo filme de Mel Gibson estreado a 11 de Março em Portugal, retrata as últimas 12 horas da vida de Jesus, de modo crú e duro, tão brutal como o era a morte por crucificação.

Ainda o filme não tinha estreado nos EUA já a polémica se instalara ao seu redor, causando mais males que a própria película.
O filme é protagonizado por actores quase desconhecidos e rodado em aramaico e latim, mas, segundo o seu realizador, esta “longa-metragem de fé, esperança e amor”, pretende retratar de forma fiel, o mais importante evento da humanidade, o qual dividiu a história ao meio. Gibson, ele próprio um cristão fervoroso, decidiu-se pelo projecto após a sua própria experiência pessoal que ele apelida de “bancarrota espiritual” e como a ultrapassou através da leitura dos evangelhos e de uma busca de Deus. Ele queria que “o filme fosse chocante. Queria que atingisse um extremo, que empurrasse o espectador para (...) que ele possa ver a enormidade do sacrifício (de Cristo), para que ele possa ver que alguém pôde suportar tudo aquilo, toda a dor e sofrimento e mesmo assim regressar com amor e perdão.”

Quanto às acusações de anti-semitismo, Gibson responde que quem matou Jesus "Fomos todos nós. E eu sou o primeiro a aceitar essa culpa. Cristo morreu por todos os homens de todas as épocas.” João Paulo II declarou: “é como foi”. Billy Graham descreveu a película como “fiel à Bíblia” cuja exibição “vale mais que uma vida de sermões”. O filho, Frank Graham comentou que o retrato exacto que o filme faz do martírio de Jesus levará o espectador a nunca mais olhar para a cruz da mesma forma.

A maior parte das organizações evangélicas reagiu com euforia, sendo que muitas igrejas estão a usar o filme como instrumento de evangelização, alugando cinemas para sessões especiais e distribuindo bilhetes gratuitamente. Das 2500 salas iniciais, o filme já foi distribuído (nos EUA), em 4000, o que prenuncia o impacto que a obra está a ter e terá concerteza também entre nós.