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O dia em que a Morte morreu
por Arq. Samuel Pinheiro *

Publicado no Em Contacto de Abril de 2003

A morte e a ressurreição de Jesus Cristo são dois factos históricos inseparáveis que se encontraram na essência do que é o Cristianismo.

Uma Morte Anunciada
Desde o Génesis, escrito por Moisés, encontramos o que é considerado pelos analistas bíblicos e cristãos, o proto-evangelho. Deus anuncia ao primeiro casal humano a vinda do Messias e a morte dos animais que providenciaram as vestes provisórias para a nudez da glória que os cobria, aponta para o Cordeiro que há-de tirar o pecado do mundo.

Ao longo de todo o Velho Testamento, o fio de sangue dos animais sacrificados apontavam para Aquele Outro que haveria de vir, O que, com a Sua morte, haveria de vencer a morte.

Longe estava a cogitação de muitos que Esse que haveria de vir fosse o próprio Deus que, antes da fundação do mundo, estava determinado para semelhante efeito.
Os profetas e não só, ao longo do Velho Testamento, de forma mais ou menos explícita, vão deixando vislumbres ou relatos extremamente detalhados sobre a morte cruenta do Substituto da Humanidade no confronto com o mal e a morte. O capítulo 53 de Isaías é um desses relatos que, cerca de 700 anos antes, nos dá um cenário da cruxificação, impossível de ser ultrapassado até pelas próprias testemunhas oculares.

A criação de seres com liberdade colocava sempre o risco da escolha do mal, da recusa de Deus, da criação segundo o plano original. Deus não seria apanhado de surpresa. Antes da criação já Deus havia preparado o plano que traria o homem assaltado pela morte de novo para a vida.

Com Jesus Cristo temos o cumprimento, na história, desse plano arquitectado na eternidade.
É o próprio Cristo que anunciou várias vezes aos seus discípulos a necessidade da sua morte. Leia-se: "Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado ao 3º dia." (Mateus 16:21).

Jesus sabia ao que vinha, qual era a Sua Missão, o quanto representava para a raça humana e o que preço que ela tinha.

Uma Morte Anunciada
Os discípulos sempre manifestaram dificuldade em compreender e aceitar a morte anunciada por Jesus Cristo.
Quem manifestava a autoridade e o poder que Jesus demonstrava, certamente, no pensamento dos discípulos, não poderia ser vitimado por ela.
Quem ressuscitava os mortos, como poderia ser vencido pela morte?

Uma Morte Diferente
Jesus não morreu como um mártir.
Jesus não morreu como todos os homens morrem.
Jesus não tinha que morrer porque não padecia do mal que origina a morte de todos os homens.
Jesus só morreria se desse a Sua vida. Ninguém podia tirar a Sua vida se Ele mesmo não a desse. Jesus só podia morrer se levasse a Sua encarnação até à identificação última da nossa falha espiritual e moral, se assumisse o pecado da humanidade. e foi isso que Jesus fez.

Já na cruz, Jesus foi sujeito a uma última tentação: a de sair d acrua e assim provar quem era. Mas Jesus tinha preparado uma surpresa. A evidência última da Sua identidade não passava por uma demonstração que colocava de fora a nossa salvação, mas uma evidência que colocava no centro a vitória sobre a prisão que amarrava o homem desde a queda adâmica e a destruição do muro que a partir daí se levantara entre a criatura e o Criador.

Ao 3º dia Jesus ressuscitou.

 

A Plenitudes agradece ao Pr. Samuel Pinheiro a amabilidade em participar do boletim Em Contacto através deste artigo, o qual perspectiva a quadra da Páscoa de modo claro e bíblico.
*Pr. Samuel Pinheiro: Professor do Instituto Bíblico da Convenção das Assembleias de Deus , Coordenador da Assessoria de Comunicação da Aliança evangélica, Editor da Revista "Liderança Hoje" e Redactor da revista "Novas de Alegria".